PINTURA "QUEEN OF UNCERTAINTY" MARTA PINTO
PINTURA "QUEEN OF UNCERTAINTY" MARTA PINTO
Queen of Uncertainty é uma pintura que nasce das intensas oscilações emocionais vividas por Marta Pinto, cuja experiência com a ansiedade atravessa e estrutura toda a obra. Aqui, a figura da rainha surge como metáfora de um poder instável: não o da certeza ou do controlo, mas o de habitar o território frágil da dúvida.
Nos momentos de maior pico emocional, a ansiedade conduz Marta a um estado deprimido, onde a incapacidade de definir desejos e decisões se impõe. O querer torna-se difuso, o futuro indistinto, e instala-se um sentimento profundo de incerteza e medo. Essa vivência interior é traduzida visualmente através de uma imagem deliberadamente distorcida, que subverte a iconografia clássica da realeza. Esta rainha não é firme nem imponente, mas fragmentada, vulnerável, em constante tensão.
Ao mesmo tempo, a pintura sugere uma ambiguidade simbólica: o rosto da rainha confunde-se com o do sol, elemento associado ao signo de Marta. Esta fusão introduz uma dimensão de luz e renovação, insinuando que, mesmo após os momentos mais sombrios das crises emocionais, existe a possibilidade de retorno ao equilíbrio. O sol não anula a incerteza, mas ilumina-a, oferecendo um espaço de pausa e recomposição.
Queen of Uncertainty propõe, assim, uma reflexão sensível sobre a ansiedade enquanto ciclo — de queda e reconstrução — afirmando que a fragilidade também pode ser um lugar de força. Entre sombra e luz, a obra revela que, apesar da instabilidade, há sempre um movimento em direção ao reencontro consigo mesma.
Queen of Uncertainty
50 x 70 cm
Acrílico sob papel 350gr
Obra rubricada na frente no canto inferior direito e assinada atrás com a data de 17.12.2025.
O acervo apresentado nesta exposição insere-se no universo artístico de Marta Pinto, artista plástica cujo trabalho nasce da necessidade de expressão emocional e da construção de narrativas visuais. As obras aqui reunidas refletem um percurso marcado pela experimentação, pela intensidade cromática e pela criação de um imaginário próprio, onde fantasia e realidade coexistem.
Personagens, recorrentes no seu trabalho, funcionam como arquétipos emocionais: símbolos de força, alegria e resiliência. As máscaras, em particular, operam como objetos narrativos, situados entre o lúdico e o inquietante, evocando contos antigos, memórias de infância e estados interiores. Cada peça apresenta-se como fragmento de uma história maior, aberta à interpretação do observador.
As imperfeições visíveis nas obras não são acidentais, mas parte integrante do processo criativo. Elas reforçam a ideia de autenticidade e vulnerabilidade, refletindo a condição humana e recusando a estética da perfeição. O gesto manual, a matéria exposta e a irregularidade tornam-se elementos expressivos fundamentais.
Este acervo propõe ao público uma experiência sensorial e emocional, convidando à contemplação e ao reencontro com o imaginário, a fantasia e a memória.
